Maria Eugênia
A luz em teu caminho
Raio do amanhecer de sol
Irradiando amor ao próximo
Afeto,no caminho da divindade
Em você sempre uma mensagem
Uma palavra espiritual
Gentil humildade de serva
Em comunhão com o Mestre
Nos ensinando os ensinamentos
Indelével fé que canta
A reverência do altruísmo
WALDER MAIA DO CARMO
"Uma noite um velho contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece dentro das pessoas.Ele disse:meu filho,a batalha é entre dois lobos dentro de ´todos nós.Um é mal.É a raiva,inveja,ciúme,cobiça,arrogância,orgulho.O outro e bom.É alegria,paz,esperança,humildade,benevolência, fé. O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:"Qual o lobo que vence?" O velho simplesmente respondeu,"O QUE VOCÊ ALIMENTA."
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
CIRCO DA VIDA (WALDER MAIA DO CARMO)
Um sorriso na máscara da alegria
Muitas peripécias para vencer a ilusão
Vender a ganância
fazendo a fome
O homem protagonista das guerras
matando a terra
matando Deus
A arte lacônica, sem expressão
O poeta na insistência
dos seus versos mórbidos...
e o circo da vida
na sua última gargalhada
sem pudor
Fim.
Muitas peripécias para vencer a ilusão
Vender a ganância
fazendo a fome
O homem protagonista das guerras
matando a terra
matando Deus
A arte lacônica, sem expressão
O poeta na insistência
dos seus versos mórbidos...
e o circo da vida
na sua última gargalhada
sem pudor
Fim.
POEMAS AOS HOMENS DE NOSSO TEMPO (HILDA HILST)
Se o teu, o meu, nosso do tigre
Se fizesse livre, como seria?
Se convivesses unânime
Como as estrias do dorso
Desse tigre
Convivem com seu todo
Te farias mais garra?
Ou mais crueza? Ou nasceria
Em ti uma outra criatura
Límpida, solar, ígnea?
Tentarias a sorte de saltar
Em direção à Vega, Canópus?
Te chamarias tigre ou Homem?
Homem: reverso da compulsória
Fome do tigre.
Homem: alado e ocre
Pássaro da morte.
Se fizesse livre, como seria?
Se convivesses unânime
Como as estrias do dorso
Desse tigre
Convivem com seu todo
Te farias mais garra?
Ou mais crueza? Ou nasceria
Em ti uma outra criatura
Límpida, solar, ígnea?
Tentarias a sorte de saltar
Em direção à Vega, Canópus?
Te chamarias tigre ou Homem?
Homem: reverso da compulsória
Fome do tigre.
Homem: alado e ocre
Pássaro da morte.
domingo, 9 de agosto de 2009
DESTINO,ACASO??? (WALDER MAIA DO CARMO)
Destino,acaso
são coisas inventadas
O homem existe
nas realizações e conquistas.
Na sua trajetória
nasce,morre
morre,nasce
para que obstáculo
seja tênue
e sua essência plena.
Sempre assim...
são coisas inventadas
O homem existe
nas realizações e conquistas.
Na sua trajetória
nasce,morre
morre,nasce
para que obstáculo
seja tênue
e sua essência plena.
Sempre assim...
sábado, 8 de agosto de 2009
JOÃO DONATO - LUGAR COMUM
Gravado em 1975 - RJ
Beira do mar
Lugar comum
Começo do caminhar
Pra beira de outro lugar
Beira do mar
Todo mar é um
Começo do caminhar
Pra dentro do fundo azul
A água bateu
O vento soprou
O fogo do sol
O sal do senhor
Tudo isso vem
Tudo isso vai
Pro mesmo lugar
De onde tudo sai.
João Donato /Gilberto Gil.
Beira do mar
Lugar comum
Começo do caminhar
Pra beira de outro lugar
Beira do mar
Todo mar é um
Começo do caminhar
Pra dentro do fundo azul
A água bateu
O vento soprou
O fogo do sol
O sal do senhor
Tudo isso vem
Tudo isso vai
Pro mesmo lugar
De onde tudo sai.
João Donato /Gilberto Gil.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
ALUCINAÇÃO ( WALDER MAIA CARMO )
Hoje despertei
com o sol a enxugar
a chuva que molhava
vários dias
O sol enfermeiro,
a curar incertezas,
trazia sonhos,reminiscências,
da vida "moleque"
Vida cortês,vida na natureza
Vida sem compostura
tão desnecessária
quanto as máscaras
que desgastam
o espelho na vão ilusão
de averiguar quem sou?
Vida no amor da casa
que renasce das cinzas
no encanto do acerto
O sol irreverente,eu,
seu calor quente
de liberdade
que me provoca
Alegria que extingue
o fantasma de que
Nada é pior do que morrer só...
com o sol a enxugar
a chuva que molhava
vários dias
O sol enfermeiro,
a curar incertezas,
trazia sonhos,reminiscências,
da vida "moleque"
Vida cortês,vida na natureza
Vida sem compostura
tão desnecessária
quanto as máscaras
que desgastam
o espelho na vão ilusão
de averiguar quem sou?
Vida no amor da casa
que renasce das cinzas
no encanto do acerto
O sol irreverente,eu,
seu calor quente
de liberdade
que me provoca
Alegria que extingue
o fantasma de que
Nada é pior do que morrer só...
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
POEMAS AOS HOMENS DO NOSSO TEMPO (HILDA HILST)
homenagem a Alexei Sakarov
de cima do palanque
de cima da alta poltrona estofada
de cima da rampa
olhar de cima
LÍDERES, o povo
Não é paisagem
Nem mansa geografia
Para a voragem
Do vosso olho.
POVO. POLVO.
UM DIA.
O povo não é o rio
De mínimas águas
Sempre iguais.
Mais fundo, mais além
E por onde navegais
Uma nova canção
De um novo mundo.
E sem sorrir
Vos digo:
O povo não é
Esse pretenso ovo
Que fingis alisar,
Essa superfície
Que jamais castiga
Vossos dedos furtivos.
POVO. POLVO.
LÚCIDA VIGÍLIA.
UM DIA.
de cima do palanque
de cima da alta poltrona estofada
de cima da rampa
olhar de cima
LÍDERES, o povo
Não é paisagem
Nem mansa geografia
Para a voragem
Do vosso olho.
POVO. POLVO.
UM DIA.
O povo não é o rio
De mínimas águas
Sempre iguais.
Mais fundo, mais além
E por onde navegais
Uma nova canção
De um novo mundo.
E sem sorrir
Vos digo:
O povo não é
Esse pretenso ovo
Que fingis alisar,
Essa superfície
Que jamais castiga
Vossos dedos furtivos.
POVO. POLVO.
LÚCIDA VIGÍLIA.
UM DIA.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
POEMAS AOS HOMENS DO NOSSO TEMPO (HILDA HILST)
A Frederico Garcia Lorca
Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
Quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu
Pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
Que bebi na tua boca a fúria de umas águas
Eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
Porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah, se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
E cantar de repente: “os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”.
Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
A tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:
Deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.
Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:
Mas está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram
Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?
“El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
con algodón del viento.
Nunca podrá arrancársele
un secreto.”
E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos
Azuis, brancos e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!
Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados
De infância, o plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.
Companheiro. Que dor de te saber tão morto.
Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
Quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu
Pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
Que bebi na tua boca a fúria de umas águas
Eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
Porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah, se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
E cantar de repente: “os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”.
Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
A tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:
Deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.
Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:
Mas está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram
Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?
“El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
con algodón del viento.
Nunca podrá arrancársele
un secreto.”
E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos
Azuis, brancos e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!
Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados
De infância, o plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.
Companheiro. Que dor de te saber tão morto.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
POEMAS AO HOMENS DO NOSSO TEMPO ( HILDA HILST )
homenagem à Natalia Gorbanievskaya
Sobre o vosso jazigo
- Homem político -
Nem compaixão, nem flores.
Apenas o escuro grito
Dos homens.
Sobre os vossos filhos
- Homem político -
A desventura
do vosso nome.
E enquanto estiverdes
À frente da Pátria
Sobre nós, a mordaça.
E sobre as vossas vidas
- Homem político -
Inexoravelmente, nossa morte.
Sobre o vosso jazigo
- Homem político -
Nem compaixão, nem flores.
Apenas o escuro grito
Dos homens.
Sobre os vossos filhos
- Homem político -
A desventura
do vosso nome.
E enquanto estiverdes
À frente da Pátria
Sobre nós, a mordaça.
E sobre as vossas vidas
- Homem político -
Inexoravelmente, nossa morte.
Sinal Fechado - Paulinho da Viola
Composição: Paulinho da Viola
Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça,
Adeus...
sábado, 1 de agosto de 2009
POEMAS AOS HOMENS DE NOSSO TEMPO ( I ) - HILDA HILST
I
homenagem a Alexander Solzhenitsyn
Senhoras e senhores, olhai-nos.
Repensemos a tarefa de pensar o mundo.
E quando a noite vem
Vem a contrafacção dos nossos rostos
Rosto perigoso, rosto-pensamento
Sobre os vossos atos.
A muitos os poetas lembrariam
Que o homem não é para ser engulido
Por vossas gargantas mentirosas.
E sempre um ou dois dos vossos engulidos
Deixarão suas heranças, suas memórias
A IDÉIA, meus senhores
E essa é mais brilhosa
Do que o brilho fugaz de vossas botas.
Cantando amor, os poetas na noite
Repensam a tarefa de pensar o mundo.
E podeis crer que há muito mais vigor
No lirismo aparente
No amante Fazedor da palavra
Do que na mão que esmaga.
A IDÉIA é ambiciosa e santa.
E o amor dos poetas pelos homens
é mais vasto
Do que a voracidade que nos move.
E mais forte há de ser
Quanto mais parco
Aos vossos olhos possa parecer.
homenagem a Alexander Solzhenitsyn
Senhoras e senhores, olhai-nos.
Repensemos a tarefa de pensar o mundo.
E quando a noite vem
Vem a contrafacção dos nossos rostos
Rosto perigoso, rosto-pensamento
Sobre os vossos atos.
A muitos os poetas lembrariam
Que o homem não é para ser engulido
Por vossas gargantas mentirosas.
E sempre um ou dois dos vossos engulidos
Deixarão suas heranças, suas memórias
A IDÉIA, meus senhores
E essa é mais brilhosa
Do que o brilho fugaz de vossas botas.
Cantando amor, os poetas na noite
Repensam a tarefa de pensar o mundo.
E podeis crer que há muito mais vigor
No lirismo aparente
No amante Fazedor da palavra
Do que na mão que esmaga.
A IDÉIA é ambiciosa e santa.
E o amor dos poetas pelos homens
é mais vasto
Do que a voracidade que nos move.
E mais forte há de ser
Quanto mais parco
Aos vossos olhos possa parecer.
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
NÓS
nós custam muito tempo até sumirem
o cerne...o suporte
os anéis... camadas,cascas que vão surgindo
e sendo ultrapassadas,fortalecendo o tronco!
constroem a árvore!
só depois de cortada,morta,
os segredos da árvore no corte de topo,
gritam...confesso que vivi...
e o que vivi...viveria muito mais!
Nadia Stabile - 29/07/09
o cerne...o suporte
os anéis... camadas,cascas que vão surgindo
e sendo ultrapassadas,fortalecendo o tronco!
constroem a árvore!
só depois de cortada,morta,
os segredos da árvore no corte de topo,
gritam...confesso que vivi...
e o que vivi...viveria muito mais!
Nadia Stabile - 29/07/09
sexta-feira, 31 de julho de 2009
FADO TROPICAL ( CHICO BUARQUE E RUY GERRA)
Oh, musa do meu fado, oh minha mãe gentil
Te deixo consternado no primeiro abril
Mas não sê tão ingrata não esquece quem te amou
E em tua densa mata se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nóes herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
(além da sífilis, é claro)
Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esmagar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga alecrins no canavial
Licores na moringa um vinho tropical
E a linda mulata com rendas do Alentejo
De quem numa bravata Arrebato um beijo
Ai, essa terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo contesto
Se trago as mãos distantes do peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"
Guitarras e sanfonas,jasmis, coqueiro, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas que corre trás-os-montes
E numa pororoca deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial.
Te deixo consternado no primeiro abril
Mas não sê tão ingrata não esquece quem te amou
E em tua densa mata se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nóes herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
(além da sífilis, é claro)
Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esmagar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga alecrins no canavial
Licores na moringa um vinho tropical
E a linda mulata com rendas do Alentejo
De quem numa bravata Arrebato um beijo
Ai, essa terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo contesto
Se trago as mãos distantes do peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"
Guitarras e sanfonas,jasmis, coqueiro, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas que corre trás-os-montes
E numa pororoca deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial.
FERNANDO PESSOA
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Lua Luar! (Walder Maia do Carmo)
Noite de estrelas
Noite de luar
Vem essa madrugada alumiar
que é pra eu poder me inspirar
Pois sou um menestrel
que ainda sabe cantar
Paz, liberdade, igualdade
preciso irradiar
pra essa pena, essa enxada
cansadas de labutar
Minha musa anda contente
com vontade de rimar
flores, amores, mente e gente
pra esse quadro enfeitar
Eu só não queria
Oh! luar luar!
que minha voz se calasse
minha viola parasse
vendo essa terra chorar...
Noite de luar
Vem essa madrugada alumiar
que é pra eu poder me inspirar
Pois sou um menestrel
que ainda sabe cantar
Paz, liberdade, igualdade
preciso irradiar
pra essa pena, essa enxada
cansadas de labutar
Minha musa anda contente
com vontade de rimar
flores, amores, mente e gente
pra esse quadro enfeitar
Eu só não queria
Oh! luar luar!
que minha voz se calasse
minha viola parasse
vendo essa terra chorar...
terça-feira, 28 de julho de 2009
Fascínio da Escrita - Walder Maia do Carmo
Assim como Sócrates as palavras
tentam filosofar o que sentimos
Ao atingirmos a essência delas
encontramos o amargo da existência
por não correspondê-las
Começo este Blog por pensar que
Sócrates, universalmente, continua
nas palavras no fascínio da escrita.
tentam filosofar o que sentimos
Ao atingirmos a essência delas
encontramos o amargo da existência
por não correspondê-las
Começo este Blog por pensar que
Sócrates, universalmente, continua
nas palavras no fascínio da escrita.
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WALDER MAIA DO CARMO
domingo, 26 de julho de 2009
MANHÃ DE SOL - WALDER MAIA DO CARMO
Manhã de sol.
O sol brincando por entre nuvens
promete aquecer a terra.
Um curió com teu canto,
canta para natureza soberana.
O homem caminha lento,
desprezando este cenário...
predador de sua existência.
Lôbrego desprezar,
onde musa embaraçada
não permite ao poeta epopeia.
O sol brincando por entre nuvens
promete aquecer a terra.
Um curió com teu canto,
canta para natureza soberana.
O homem caminha lento,
desprezando este cenário...
predador de sua existência.
Lôbrego desprezar,
onde musa embaraçada
não permite ao poeta epopeia.
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MULHER PAIXÃO - WALDER MAIA DO CARMO
Mirian nos teus ósculos me perco.
Desejo teu corpo nu de desejo...
Suas volúpias: libido
sem compostura, desvario.
Delírio que nos faz UM,
orgasmo deleite.
Mulher devassa dentro de mim.
Mirian paixão,razão,comunhão...
tudo que a rima permite.
Desejo teu corpo nu de desejo...
Suas volúpias: libido
sem compostura, desvario.
Delírio que nos faz UM,
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Mulher devassa dentro de mim.
Mirian paixão,razão,comunhão...
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IN NATURA - WALDER MAIA DO CARMO
Você não percebeu como a natureza estava contente
Ela que constitui a essência das coisas, estava feliz.
Feliz que até despertou o astro rei,preguiçoso e quente
derramando luz de vida em nosso fado.
Até perfumou de primavera aquele famigerado instante.
Você não percebeu o vento que soprava no verde de clorofila
propagando a suave simetria dos cantos dos pássaros
que cantavam para nós.
Você não percebeu a importância da pequenina abelha que,
em acrobáticas manobras buscava no seio da inefável flor o
néctar da vida.
Negro desprezar de todo esse arranjo da mãe natureza em
dádiva
sacrificando no poeta a musa inda lactente.
Ela que constitui a essência das coisas, estava feliz.
Feliz que até despertou o astro rei,preguiçoso e quente
derramando luz de vida em nosso fado.
Até perfumou de primavera aquele famigerado instante.
Você não percebeu o vento que soprava no verde de clorofila
propagando a suave simetria dos cantos dos pássaros
que cantavam para nós.
Você não percebeu a importância da pequenina abelha que,
em acrobáticas manobras buscava no seio da inefável flor o
néctar da vida.
Negro desprezar de todo esse arranjo da mãe natureza em
dádiva
sacrificando no poeta a musa inda lactente.
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